"Sabia que seria uma das maiores loucuras que estaria prestes a cometer... Desde o dia, imediatamente a seguir ao do seu último aniversário, percebeu que seria fácil apaixonar-se por ele!
O sorriso rasgado, a conversa fácil, olhar penetrante, de bem com a vida - tal como ela. Sempre aprumado e cordial. Dono do seu espaço e senhor de si. Não era de uma beleza estonteante mas o seu charme, apesar da pouca idade, denunciava duas coisas: que era muito sabido e que ela não saberia resistir.lhe! Começaram a sair. Ela a medo porque sabia bem no que se estava a meter. Sabia que entregar-se a ele era afastar, de vez, todas as possibilidades de voltar para a relação passada. Ele cheio de pressa. Como se se tivesse apaixonado de uma forma tão arrebatadora que não conseguisse passar mais sem ela - pareceu-lhe. Essa convicção deu-lhe confiança e fez com que quisesse avançar. Tivesse a certeza que era aquilo que queria. Era por ele e pelo que não podia negar estar a sentir que tinha que avançar.
Avançou.
Corria para ele sempre que podia. As amigas notavam nela uma alegria nova que, a principio, não queria admitir. Queria guardar só para si. Mas estava apaixonada e perante quem a conhecia eram em vão todas as tentativas de tentar escondê-lo!
Sentia-se protegida quando estava com ele. Aliás, o primeiro sinal que teve de que ele a protegeria ocorreu muito antes de começarem a estar juntos. Ela guardou aquele momento como se tivesse percebido que aquilo tinha sido um sinal. Quem sabe, talvez se tivesse apaixonado por ele naquele momento!
E de aniversário em aniversário, assim se vai contando esta história. Ele somou mais um primavera. Ambos marcaram nesse dia, o inicio de uma novo caminho.
A vida trocou-lhes alguns planos, mesmo assim trocaram prendas no Natal. Para ela aquilo foi uma espécie de troca de alianças em dia de casamento. Era como que fazer prova de que estavam juntos, que queriam estar juntos e que se gostavam de tal forma que seria, quase inevitável, as pessoas começarem a saber e a notar - que se começasse a falar que eram um casal.
Às vezes discutiam... Quase sempre porque ela queria mais atenção dele, mais tempo. Como se se tivessem revertido os papéis e agora fosse ela a ter pressa de mais. Os encontros deles tinham, quase sempre vista para o mar, madrugada dentro. Com as horas contadas, preenchiam o tempo juntos como o preenchem duas pessoas apaixonadas.
Perdiam-se muitas vezes na linguagem crua do prazer. Mas também discutiam actualidade. Ele de voz grossa e convicções de esquerda que perdiam força, chutadas por aquele sotaque beto e pelo elitismo que, a espaços, lhe atraiçoava as convicções. Ela mais conservadora. Pura ironia em algumas intervenções. Ele fé nos homens, ela fé nos sentimentos - do mundo e dele."
BM
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