Temia que este blog se fosse tornar na coisa mais depré que a santa blogosfera já viu... E eis que os meus temores se podem constatar. Mas a culpa é do tempo... Cinzento, chuva e até granizo - mesmo às portas de maio!
Se o tempo anda "estranho" eu também tenho direito.
Também tenho direito de andar exatamente o contrário do que seria esperado para esta altura!
Foi uma tarde, a vaguear entre blogs (esses sim!) de qualidade, de pessoas que produzem conteúdos interessantes, que escrevem bem...
Dei por mim a ler as mais diversas matérias, escritas nos mais distintos estilos.
Mas acabei a vasculhar alguns blogs que já sigo habitualmente e onde sabia, encontraria textos sobre o tema que queria ler.
Partilho este excerto, de um texto de Miguel Carvalho, Jornalista da revista Visão:
"Como se pudéssemos dizer “se amar, não se magoe”.
(...) A postura é um fato de pronto-a-vestir que usamos para entrar e sair das relações. Talvez até já nem se rasguem roupas quando chega a hora. O sentimento não ferve, a aprendizagem das loucuras que fizemos é renegada e a história do que fomos não tem disco duro porque a caixa de mensagens é mais prática e descartável. De resto, já não há cartas para guardar porque ninguém as escreve. Quem as leria, de resto, se tivessem mais de 140 caracteres?
Como num poema do Eugénio, já não há nada que nos peça água. E estamos como ela: insípidos, inodoros e incolores. Leves. Capazes de ir do tudo ou nada sem efusão de sangue. Deve andar a escapar-nos o momento em que deixamos de olhar a vida nos olhos e a desregrada infinidade de coisas que vinha junto com ela."
Como referi, não fui eu a escrevê-lo mas, principalmente, este último parágrafo poderia ter sido anotado numa das minhas últimas conversas de esplanada, entre cafés, cigarros, lágrimas e gargalhadas (estas a propósito do quão injustificáveis eram as lágrimas).
Desculpem-me a descrença nas pessoas... Mas, infelizmente, cada vez mais me convenço que já nada as move. Nem as paixões, nem o pôr do sol ao fim da tarde, nem os amigos, nem a família, muito menos os outros. Vive-se sem cor. Deixa-se a vida cair num cinza rato (cor que vai muito bem com os carros, mas muito mal com a vida) e nem uns riscos na pintura.
Perdeu-se a veneração pelo toque, o mesmo é dizer pela presença.
Acima de tudo há que manter o controle, a postura (e sobretudo as aparências).
Se estamos irritados nada de berros, de murros na mesa, muito menos palavrões.
Se estamos felizes nada de grandes euforias, música nos berros e foguetes pelo ar.
Tudo comedido, para bem ou para mal. Tudo morno. A meio gás. Desenxabido. Assim Assim.
E eu não me habituo a isto.
p.s. - enquanto escrevo este post estou a ouvir um programa na RTP2 e eis que uma atriz portuguesa, a trabalhar no brasil, em visita ao nosso país lamenta que "aqui não se fala olhos nos olhos"... Ainda bem que não sou a única a queixar-me disto.
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