quarta-feira, 23 de maio de 2012

Um Abraço


As saudades que eu tinha dela. 
E ela de mim. 
Como é que sei? Assim que me viu entrar em casa levou-me para o corredor mais comprido, colocou-me num extremo, ia para o outro, calmamente, e regressava a correr, em bicos de pés, para o meu colo. Mantendo-se ali em abraços demorados. Estivemos nisto tempo sem conta, até que nos chamaram para o jantar.
Quando de vida temos apenas dois anos e as palavras ainda nos saem trapalhonas. Quando não há léxico para se elaborar grandes teses, o amor diz-se assim! Com gestos tão banais quanto tocantes.
O problema é ser adulto e, muitas vezes, não saber traduzir assim, em gestos simples, a imensidão que nos vai no coração. 
Temos as palavras, dizemos frases tão elaboradas que prendem em si a beleza que cabe só às emoções!
Não somos capazes do mais simples: desconstruir os sentimentos em gestos simples, quase banais. 

Mais uma lição que aprendi contigo, flor. Mas ainda não, o suficiente, para dizer que amo em abraços apertados. E saber que bastou isso, para não me deixares dúvidas, que sentiste a minha falta. 
Separam-nos 20 anos de idade e és tu que me ensinas estas coisas.
Só passaram três dias desde o último abraço e já conto os segundos para calada, dizer que te amo, num próximo.


p.s. Hoje, na rádio, passou esta música. E a tudo o que já disse, acrescento-te isto.

Estás a ver como eu não sei viver sem as palavras?  

Sem comentários:

Enviar um comentário